sexta-feira, 1 de março de 2013

Fireflies 10 cap


As semanas passaram e com ela veio enfim o inverno, minha estação do ano favorita, se ela não acompanhasse minha volta pro Brasil.
Acordei com dor de cabeça, acho que pelo fato de ter chorado até dormir pesando em como dizer pro Danny que estava na minha hora de voltar. Anne já tinha ido, Dougie já estava mal, e agora comigo indo embora como Danny ajudaria o amigo estando pior que ele? O chamei pra conversar...
Desci devagar as escadas, minhas malas já estavam arrumadas a única coisa que eu queria era que aquilo tudo fosse um engano que eu não precisasse voltar. Mas se eu não voltasse pra minha casa, onde eu iria morar? Não tinha dinheiro o suficiente pra morar aqui e ainda me sustentar, nem trabalho eu tinha já que meu ano escolar tinha terminado. Tudo estava contra mim. Meu coração estava doendo.
Fui tirada dos meus pensamentos pelo som da campainha tocando, sabia que era ele, aquilo fez meu coração quase parar, falhar por algumas vezes, enxuguei algumas lágrimas que brincavam na ponta dos meus olhos. A neve que caia calma do lado de fora não fazia júz ao turbilhão de coisas que aconteciam do lado de dentro. Dentro de mim.
Abri a porta tentando corresponder ao sorriso contagiante que eu recebi, senti o mundo à minhas costas de culpa quando percebi que eu arrancaria sem pudor aquele sorriso que eu tanto amava.
- Thay, o que foi? Você estava chorando? - Dei passagem pra que ele entrasse.
- Não me respondeu, estava chorando?
- Não Danny... - Me amaldiçoei ao responde-lo com a voz mais embargada e falha do mundo...- Talvez estivesse. Qual o problema?
- O problema é que eu não sei o motivo. - Ele chegou perto de mim, sorrindo fraco e secando algumas lágrimas. Me abraçou e isso só fez com que eu soluçasse em seu peito.
- Você é o motivo. - Olhei em seus olhos, azuis brilhosos, perdendo gradativamente o brilho, se tornando azuis opacos e quase sem vida.
- Eu? Mais o que eu fiz? - Ele parecia preocupado e ainda não me largava de seus braços, ele me apertava a si mais ainda. Nada do que ele estava fazendo estava ajudando pro que eu tinha que falar. Seu cheiro embriagante, seus olhos nos meus, seus braços fortes me cercando, sua voz fazendo meus joelhos falharem, como conseguir abandona-lo?
- Danny, eu tenho que falar com você. - Me soltei de seus braços me sentando no sofá, ele se sentou ao meu lado olhando ainda atento meus olhos.
- Diz... - Incentivou pra que eu continuasse.
- Eu vou... Embora... - Pude ver quando o brilho dos seus olhos se esvaiu completamente tornando opaco e sem vida, algumas lágrimas bricavam no canto e ele não se preocupou de limpa-las quando elas caíram, fiz isso pra ele, ou tentei antes que ele prendesse meus punhos. Um tanto quanto forte demais.
- Por que não me disse antes? - Sua voz não tinha a mesma paixão e doçura de antes, era fria e grossa, como se ele me culpasse por deixa-la assim.
- Pensei que sabia, sinceramente quando me contou de tudo, como conhecia a Anne como sabia que eu viria pra Londres, achei que ela tinha te contado que era apenas um intercâmbio de um ano, e que depois do terceiro eu voltaria pro Brasil, ou me sustentaria sozinha aqui. E Danny, onde eu vou trabalhar? Onde eu vou morar? Amo você, muito, e os meninos cara eles foram a melhor coisa que aconteceram na minha vida, amigos de verdade e Anne ela e eu somos amigas antes mesmo de eu conhecer você. E agora ela foi embora. Queria muito que me prendesse aqui. Mas eu não posso jogar o meu mundo nas suas costas e fingir que está tudo bem... - As lágrimas se tornavam mais grossas e eu tremia de nervoso... - Mas não está. - Tentei abraça-lo, ele recuou, me fazendo soluçar, e as palavras a seguir me deixaram pior do que eu jamais fiquei.
- Eu não sou motivo o suficiente pra você ficar? Eu não sou bom o bastante pra você Thayná? Eu não sou, ou era, o amor da sua vida? E agora me diz que vai embora. Simplesmente ir embora. Pior espera o ultimo momento pra me contar, eu acho que você não me ama nem metade do quanto eu amo você.
Ele se levantou do sofá, caminhando lentamente até a porta secando lágrimas, o estrondo dela me assustou, minhas mãos no rosto era a única coisa que me faziam aliviar as dores que eu sentia. Chorei feito uma criança, odiava aquela sensação de ver o cara que eu sempre amei ir embora e não fazer nada.
Era o Danny, amor da minha vida, combatendo de frente com a minha família, minha mãe, meus tios, meus primos, meus amigos de São Paulo. E os daqui Dougie, Tom, Harry, até mesmo Anne que não passa uma tempo de férias pra vir pra cá e agora com a promoção dos pais dela e o nascimento do Julian estavam até pensando em irmos todos pra lá ficar um tempo na Austrália. Tanta coisa me era promissora aqui. Mas eu tinha saudades de lá. Tudo estava uma bagunça. Que eu estava impossibilitada de arrumar. Estava completamente dividida, entre Londres e São Paulo.
Amanheceu o dia e os raios do sol fraco de inverno que aparecera mesmo na temperatura negativa me acordou já que a sala não compartilhava de cortinas escuras como as do quarto. Levantei meio mole me equilibrando nos móveis até chegar no meu quarto, me jogando na cama quente apenas pra dormir mais um pouco antes de ter que encarar a compra da passagem de volta.
Um pouco mais tarde naquele mesmo dia meu celular se encarregou de me tirar do sonho bom que eu tinha com o Danny, era Anne.
- Oi amiga. - Sua voz era alegre e sonora, as vozes no fundo indicavam que não estava sozinha, um bebê rindo me fez rir fraco, Julian deveria ser tão lindo e fofo, por um minuto senti inveja da felicidade que ela sentia, que eu não partilhava nenhum décimo.
- Oi Anne. - Tentei mostrar alegria mas fui pega no flagra.
- Está tudo bem?
- Não.
- O que houve?
- Eu vou voltar pro Brasil.
- Mas e o Danny?
- Eu achei que quando tivesse contado pra ele que eu viria pra cá tinha contado que eu só ficaria um ano. Quando me disse que não contou tive que fazer eu mesma. Ele não gostou muito de ser o ultimo a saber.
- Você deve estar mal.
- Eu estou mal, ele está mal, o Dougie está mal por causa de você. Todo mundo está um caco, Londres está tão triste.
- Não fica assim amiga. Tudo vai dar certo no final.
- Assim espero.
- Eu tinha te ligado pra saber se a viagem pra cá estava de pé, mas parece que não.
- Infelizmente.
- Eu vou desligar amiga. O Julian ta chorando e meus pais acabaram de sair... E como sempre o Boobs está jogando vídeo-game, tudo sou eu nessa casa.
Sorri com o cometário da minha melhor amiga.
- Tchau menina, cuida dos seus irmãos.
Ela sorriu e desligou, a pequena fonte de alegria que ela me passou se esvaiu quando encarei a janela e a neve caindo sem pudor algum. Tomei um banho rápido coloquei uma jeans, um moletom peguei minha bolsa e sai em direção ao aeroporto pra comprar a passagem.
- Só de ida pra São Paulo.
- Voou direto?
- Por favor.
Comprei a passagem com dor no peito e voltei pra casa dali 72 horas eu estaria no voou de volta pro Brasil, quando eu poderia estar viajando com Dougie e Danny pra Austrália.
Na esquina da Av. Lermam, com a Rua. Savvage, eu pude ver o prédio do Danny, aquele azul se destacando no meio de todos aqueles opacos, incluindo o meu. Tomei um gole de coragem espirando fundo antes de passar direto pelo meu prédio e entrar no dele. Sem pensar apertei o número 7 no elevador, batia com as unhas na porta, elas demoravam tanto pra abrir ou seria coisa da minha cabeça? Sai descontroladamente pelo corredor com os olhos embaçados pelas lágrimas, eu me recusaria a ir embora sem um ultimo beijo, um ultimo abraço, um ultimo suspiro de Danny.
Bati a porta freneticamente e me lembrei do Doutor Sheldon Cooper do Big Bang Theory quando ele batia a alguma porta, sorri nervosamente. Por que lembrar de algo como esse naquele fatídico momento? Só eu mesmo. Levei um leve susto ao sentir a porta se abrindo, e aquele par de olhos azuis me encarando desfocados, ele estava chorando e muito, seu nariz ainda vermelhos e seus olhos inchados, o abracei sem ao menos deixa-lo falar ou fazer algo, e sentir seus braços envolta de mim me apertando a ponto de fazer minha respiração falhar me deu certeza que ele já não estava tão nervoso comigo.
- Eu te amo anjinho.
- Eu te amo Danny. Não é a hora certa, mas eu vim me despedir.
Ele me encarrou nos olhos sorriu fraco e assentindo com a cabeça. Se sentou no sofá me indicando um lugar ao seu lado pra que eu me sentasse também.
- Eu fiquei nervoso quando você me contou. Mas agora eu só estou triste, preferia que ficasse aqui, mas já que tem que ir, eu entendo.
- Tudo bem, eu compreendo se fosse você, teria ficado igualmente nervosa. Eu juro que vou manter contato com você. Prometo... - Sorri o beijando, eu estava sentindo tanta falta daquele beijo, daquele jeito, aqueles olhos, aquele abraço. Tudo nele me deixava sem ar.
- Fica comigo hoje? Dorme aqui... Vamos aproveitar que vai embora daqui...?
- Três dias.
- Ée... Vamos curtir igual namoradinhos. - Ele sorriu beijando a ponta do meu nariz. Sorri de volta com uma careta.
- Eu escolho um filme e você cuida das pipocas.
- Pode deixar... - Ele se levantou caminhando até a cozinha... - Só eu que curto comer uma pipoca com chocolate quente?
- Eu também gosto. Com marshmellowns por favor.
- Ok, bonitinha.
Me sentei em frente a televisão procurando um filme legal pra assistirmos.
- Terror, ou romance? - Gritei da sala.
- Terror, por favor. - Ele respondeu ao mesmo tom de berro.
Procurei alguns filmes legais e nada me chamou mais atenção então procurei nas séries e achei American Horror History, não existe série mais tenebrosa que essa. Coquei o primeiro DvD com os primeiros 7 ep's e depois me sentei no sofá pronta pra melhor overdose de séries da minha vida.
- DANNY vai começar. - Esperniei no sofá, e recebi uma gargalhada de volta.
- Podia me ajudar aqui, ao invés de ficar de birra. - Ele disse entrando na sala com o edredom, a pipoca, e as canecas de chocolate na mão. Me levantei o ajudando, nos sentamos um ao lado do outro e começamos a ver a série.
Antes do fim do primeiro Ep eu já estava morrendo do coração de tanto medo. Não aguentei o terceiro susto e gritei agarrando o Danny pelo braço cravando minhas unhas ali.
- Ai, ta me machucando. - Danny sussurrou.
- Desculpa, foi sem querer. É que eu amo séries e filmes de terror, só que assistir sem ter nenhum pinguinho de medo não faz meu tipo.
- Então que tal esquecer a série e prestar atenção em mim? - Sua voz saiu um pouco mais grave e sendo sussurrada no meu ouvido, me arrepiou instantaneamente.
- Hmm, quem sabe. - Retribui o olhar malicioso que ganhei.
- Sabe Thay... - Encostei o indicador em seus lábios, sorrindo pra ele.
- Não Danny, não sei, e não quero saber. - Selei nossos lábios, contornando os dele com a língua. Nosso beijo se tornou mais urgente e mais desesperado, não demorou muito pra nossas roupas estarem jogadas no chão e eu sentindo o corpo dele se fundindo ao meu, causando espasmos e suspiros descontrolados. Minhas unhas desciam pelo seu corpo e sua mão me apertava os quadris. Não demorou muito pra que eu descansasse em seu peito que ainda subia e descia meio descompassado. Eu o amava muito.

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