Sexta-feira fria e chuvosa chegou UHULLLLLL a felicidade tomava conta do meu ser, ta pra nascer pessoa que ama mais dias nublados e chuvosos do que eu. Adoro ter uma desculpa à mais pra ficar jogada no sofá, desarrumada, de pijama, com uma caneca enorme de chocolate, me acabando de assistir seriados. Porém tudo isso depois da escola, eu tinha querendo ou não que encarar todo aquele povo da minha sala, fazendo bagunça, berrando, gritando e melhor ainda, eu teria que aguentar isso tudo sozinha, já que a queridinha da Anne resolvei pegar gripe.
A sala não estava tão cheia quando eu entrei, mas pro meu desespero não demorou muito pra renca entrar porta a dentro quase destruindo tudo -ok talvez eu esteja exagerando um pouco-, o moço que senta à minha frente pelo menos compareceu a aula, morrer de tédio eu não vou, posso passar o dia apreciando a beleza do mesmo. Fui tirada dos meus pensamentos que endeusavam o moço quando ouvi meu nome sendo anunciado nos alto-falantes e de repente a sala toda olhava pra mim. O professor da vez -química- me autorizou a sair da sala. Corri até a direção.
- O que a senhorita quer aqui? - disse a secretária com cara de paisagem.
- Chamaram meu nome nos alto-falantes, a diretora quer falar comigo.
- A sim, pode entrar.
A sala da diretora era com certeza um lugar não muito legal de estar, eu sei que eu não tinha feito nada, mas só de estar lá eu já podia confessar que fui eu em tombou a torre de Ibiza, ou então que fui eu quem derrubou o murro de Berlim, estando lá eu poderia confessar que fui eu quem deu ideia pro fã doido matar o John Lennon -ok essa parte eu não confessaria senão era capaz de ocorrer uma expulsão minha do país-. A moça que surgio a minha frente vinda do além era bem bonita, usava saltos altos pretos, uma saia, que fazia conjunto com um blazer, e uma camisa branca, cabelos devidamente presos em um coque, pele pálida pelo excesso de maquiagem, que a deixavam igual a atriz que participou do clipe Mr. Brigthside do The Killers ( Izabella Miko ), completamente bonita.
- Bom dia. - sua voz era doce e meio rouca. Então por que sua sala tinha que causar tanto terror se ela mesma era uma fofura de mulher? Dúvidas.
- Bom dia diretora Dell.
- Sabe por que está aqui?
- Não, que eu me lembre eu não fiz nada. Mas se isso me livra de uma expulsão do país feita pela rainha eu posso assumir qualquer culpa. - Ela sorriu alto, se sentando a poltrona de couro.
- Não Thayná, calma, não fez nada de errado não. Seus pais ligaram hoje de manhã... - ela olhou no relógio que ainda marcava oito e meia... - Mais de manhã...- se corrigiu...- e me informaram que era uma aluna exemplar no colégio onde estudava em São Paulo.
- Vou ser bem sincera com a senhora. Eu não gosto de estudar, mas eu sei que se eu quiser ser alguém na vida eu TENHO que estudar. É como dizem no Brasil, um mal necessário.
Ela riu do meu comentário e assentiu com a cabeça.
- Isso mesmo mocinha, é um mal muito do necessário. Eu mesma quando tinha sua idade, não muito tempo atrás...- sorriu...- queria ser juíza, sabia que fazer direito não era nada fácil, mas eu ajuntei dinheiro pra minha faculdade e me formei, infelizmente não durei muito na profissão, que ainda sofre muito com o machismo, mas tenho meu diploma e sou muito reconhecida e orgulhosa por isso. O que eu queria falar é isso. Eu vejo muito de mim em você, menina determinada, de bem com a vida, feliz e batalhadora, se continuar assim chega longe.
- Obrigada diretora Dell.
- Liza. Pode me chamar de Liza.
- Ok, Liza.
- Não quero te poupar do seu aprendizado, te desejo sorte nesse ano que se inicia e só queria te informar que as vagas pra ajudantes aqui na escola, começam a ser preenchidas hoje a tarde, é só entrar no site da escola.
- Trabalho? Estou mesmo precisando.
Sorri tomando meu rumo de volta pra sala, e qual não foi minha surpresa a não ver ninguém na sala, ainda não era hora do intervalo, então era possível que todos estivessem na educação física, uma das minha matérias favoritas. Perguntei ao inspetor aonde minha sala estava e ele me levou até eles.
- Thayná, onde você estava? Marquei falta. - O professor perguntou.
- Estava com a diretora. - O inspetor assentiu indo de volta pro corredor.
- Ok. As meninas estão jogando vôlei, se quiser só entrar no time de colete azul.
- Professor, posso não jogar hoje?
- Claro, senta na arquibancada e fica lá.
Sorri, caminhando em direção a arquibancada, meu professor era bem do divertido, não cobrava nada de ninguém quer jogar joga, não quer não joga, mas quem não joga está mas possibilitado de ter de fazer um trabalho imenso pra recuperar nota.
Sentei na mesma abraçando os joelhos, meus fones foram rápidos no caminho até minhas orelhas e o som de Stellar - Incubus a tocar foi mais rápido ainda. Eu estava encarando o céu cinza quase escuro, e meus olhos foram caindo, quando dei por mim encarava o menino misterioso, ele estava com seus fones e movimentava o pé no ritmo da batida presumo me entreti tanto olhando-o que não notei quando me olhou de volta, selando um contado visual que eu não queria quebrar. O contato permanecia impecável nenhum dos dois queria quebra-lo e por isso Anne fez o favor de quebrar pra gente, olhei o visor do celular que indicava mensagem da Anne a xinguei mentalmente, de novo. Tentei ignora-la mas ele já não estava mas a 5 degraus de mim, ele já se encontrava do outro lado da quadra indo pra qualquer lugar longe de mim.
"Eai periguete, é assim que falam vagaba no Brasil né? Ausaush, como ta a escola sem minha presença?"
"É Anne é periguete mesmo e só te digo uma coisa. Vai se foder."
" O que eu fiz amiga?"
"Você me interrompeu em algo muito importante."
"O que é mais importante pra você, que eu?"
"Primeiramente, qualquer coisa é mais importante que você pra mim... - mentira amiga te amo...- eu estava em um assunto divertidíssimo."
"Com quem?"
"Depois de conto."
"Pode falando agora"
"NÃO DÁ, SINAL ACABOU DE BATER."
Não era necessariamente uma mentira o sinal tinha mesmo acabado de bater, salva pelo gongo, eu não queria contar nada disso pra ela ainda mesmo. A aula de Educação Física antedecia o intervalo então permaneci no mesmo lugar, agradecendo da quadra ficar aberta durante o intervalo. Seria tortura demais ter que levantar de um lugar quentinho e me sentar em um lugar frio... Gelado.
Meus pensamentos voltaram dois anos no tempo, quando eu tinha 15 anos e como aquele foi o ano mais maravilhoso da minha adolescência.
Flash Back - on
Era noite em São Paulo, depois do jantar corri pro meu quarto me sentando em frente ao computador esperando um e-mail dele, Danny, era como o conhecia. Fazia alguns meses que nos conhecíamos, alguns meses que trocávamos emails, minha mãe sempre me alertava sobre isso de conhecer pessoas na internet, mas algo nele me passava confiança, mesmo que eu nunca o tivesse visto, não soubesse como ele era. Eu sabia que eu podia confiar nele, e eu realmente podia confiar nele... Meu coração saltou do peito quando vi na caixa de entrada o número 1 avisando de um novo e-mail recebido, era dele e nesse momento no meu mundo o sol brilhou mais intensamente...
"Oi, desculpe demorar tanto pra responder é que infelizmente meu irmão mais velho voltou do exército e né, tudo ele nada pra mim, isso inclui minha internet. Estava com saudades de conversar com você, foram as 3 semanas mais deprimentes na minha vida. Como de costume, vou te contar do meu dia. Hoje levantei cedo pra ir pra escola e adivinha o que pousou em mim quando eu levantei da cama? Isso mesmo uma barata, e não era uma baratinha normal de banheiro, era aquelas cascudas, que voam, que dão medo em qualquer um, eu sei que eu quase morri do coração. Me deu uma taquicardia, achei que minha hora tinha chego, jurei que estava vendo a luz. Mas ai ela decidiu que não ficaria em mim e voou pra baixo da cama. Devo ter gastado um vidro de inseticida naquela peste. Depois do episódio da barata, eu tomei banho, coloquei minha roupa quentinha, aqui em Bolton ta frio e nevando, espero que ai em São Paulo esteja quente. Desci com a minha mochila, tomei café, briguei com meu irmão por causa de uma panqueca que ninguém comeu já que meu pai fez show e quem comeu foi ele. E por fim, fui pra escola. E lá eu só dormi, por que isso é o que eu faço de melhor nas aulas. Me conta do seu dia e desculpa o e-mail gigante. Fica com Deus anjinho, se tudo der certo amanhã eu te mando outro e-mail. Beijos, e eu te amo. É eu sei que tenho que parar de falar isso pra você mas, todo dia eu fico olhando pra lua imaginando como seria estar do seu lado pequena. Não ligo pro que os outros dizem, eu sei que você é real e sei que o que eu sinto por você é real. Não vejo a hora de te ver, te tocar, te abraçar, sonho todo dia com isso. Um beijo na ponta do nariz e sonha comigo"
Toda fez que o Danny me mandava um e-mail era a noite que eu ia dormir chorando, como pode alguém se apaixonar por um pessoa que está a um oceano de distância e saber que isso é tão forte que ultrapassa as barreiras e é fiel, e é real? Eu sabia que o amava, de um jeito ou de outro eu sabia que era verdade. O respondi e me joguei na cama, dormi sorrindo imaginando o dia que eu finalmente o abraçaria.
Flash Back - off
Dois anos se passaram, dois anos que não nos falávamos, idai que eu estava em Londres? Bolton não é nenhuma cidade vizinha e também quantos Danny's deve existir lá, eu não podia simplesmente chegar e sair perguntando: "Ei você conhece o Danny? Sabe onde ele mora?". Seria como pedir pra me chamarem de doida. A única coisa que eu lembrava dele é que ele foi o primeiro e o único cara por quem eu me apaixonei.
Senti um cutucão na minha perna e encarei a figura masculina à minha frente.
- Mocinha o horário de intervalo acabou, já pra sua sala. - Assenti pro inspetor caminhando em passos lerdos até minha sala, onde encarei uma aula de filosofia e duas de matemática.
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