terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Fileflies 7 cap


"Danny onde você está?"
Fazia algum tempo que eu e o Danny não conversávamos, sei que estávamos nas semanas de prova que antecede as férias, mas o que custava a ele me mandar pelo menos um "oi" só pra eu saber que não vai acontecer o mesmo que aconteceu antes? Bati a capa do livro de física com força na mesa da cozinha, deixando que algumas lágrimas caíssem pelos meus olhos antes que eu chegasse a sala. Que saco, toda vez que eu fechava os olhos eu via o Daniel na minha cabeça, eu sentia o seu perfume, ouvia sua risada, sua voz me chamando, mas eu sabia que meu coração batia só pelo Danny. Mesmo eles tendo o "mesmo nome" não dá pra eu fingir que o Danny o meu Danny é o Daniel, meu amigo de escola, mesmo que meu coração bata um pouquinho mais forte quando ele está presente. O celular tocou me tirando completamente dos meus pensamentos era Anne e pela primeira vez eu a agradeci mentalmente por me tirar deles.
- Oi. - Tentei mostrar uma vontade à mais de falar, mas acho que ela percebeu minha farsa.
- Oi amiga, eu preciso falar com você, é urgente. - Ela não parecia nenhum pouco mais feliz que eu.
- O que aconteceu?
- Me encontra em 20 minutos na starbucks da esquina.
- Pode ser.
Desliguei o telefone subindo pra colocar o tênis e uma blusa mais quentinha. Desci logo em seguida a encontrando sentada em uma mesa afastada, ela estava pálida aparentava ter tomado um susto recentemente, algumas lágrimas brincavam na ponda de seus olhos e aquilo de fato me assustou e muito.
- O que aconteceu? - segurei sua mão, gelada, e encarei seus olhos claros.
- Eu vou me mudar. - Anne não segurava suas lágrimas, tentei passar segurança pra ela, mas não segurei as minhas por muito tempo.
- Pra onde vai?
- Austrália.
- Isso é longe. Muito longe.
- Eu sei, mas eu prometo te mandar emails todo dia, e nas férias eu vou fazer o inferno na cabeça dos meus país pra vir pra cá.
- Isso mesmo. Vou sentir sua falta, mal passamos um tempo juntas aqui em Londres.
- Eu só vou nas férias, ainda temos duas semanas, borá aproveitar?
- Só se for agora.
Enxugamos as lágrimas, pagando nos capuccinos e indo em direção ao shopping, nada melhor que passar um tempo gastando... Foi bem divertido, esperimentar todos os estilos de roupa, de vestidos floridos e vestidos de gala, passando por roupas de periguetes inglesas e roupas de homem, vi uma camisa xadrez masculina que eu não resisti e tive que levar pra mim. Acho uma combinação incrivel um shortinho e uma camisa masculina, da um ar de "largada sexy" pelo menos eu acho.
Chegamos em casa nos jogando com sacolas e tudo no sofá.
- Ainda é cedo. O que vamos fazer?
- Não sei. Que tal ligar pros meninos e ver o que eles estão fazendo?
- Pode ser.
Liguei pro Dougie perguntando onde ele estava, me respondeu que estava com o Daniel na casa dele, chamei os dois pra sair e chamar o Tom e o Harry mas esses estavam com suas namoradas. Ou seja ia ser um encontro querendo ou não visto por todo como de casal.
- Anne. O Dougie está na casa do Daniel e eles estão morgando, chamei-os pra sair e eles aceitaram. Agora é com a gente.
Vi os olhos de Anne brilharem, mesmo sabendo que eu já tinha ficado com o Dougie ela nutria uma paixonite por ele, que por mim tudo bem já que meu tinha uma quedinha pelo Daniel... Danny.
Tomei um banho e corri pro armário enquanto Anne fazia o mesmo em um outro quarto. Optei por um vestido muito bonitinho que eu tinha acabado de comprar, era me manga cumprida muito bom já que estava frio, era de bolinhas muito fofo, tentei colocar com um All star, e até ficava bonito, mas com toda aquela fofura constatei que uma sapatilha cairia bem melhor, deixei os cabelos secarem a seu modo e ainda bem que eles escolheram não fazer cosplay de arbusto. Desci e Anne estava sacudindo as pernas sentada na banqueta encarando alguma coisa nula na cozinha, seu vestido era pouco parecido com o meu, era no mesmo tecido mas sem manga e o dela era xadrez. Ela sim optou por um tênis de lona muito bonito. Ela sabia que se tratando do Dougie salto não convinha se vocês já eram da mesma altura.
- Está muito fofa Thay.
- É, eu sei ser delicada quando convém, só falta os meninos quererem ir na boate mais baladala de Londres, pra estragar o clima.
- Nada disso. Enquanto se arrumava eu falei com o Dougie e eles estão mesmo querendo ficar mais quietinhos, vamos pra um café. KEEP CALM, um café de respeito.
- Então... Vamos?
- Sim. Marquei com eles no pub as 22:30hs.
O relógio marcava 22:00hs saimos em direção ao tal do café, era um lugar aconchegante e me lembrava minha casa, em São Paulo, nos sentamos em uma mesa no segundo andar, aonde dava pra ver um pouco da paisagem linda de Londres e bem distante dava até pra ver um pouco da London Eye. Olhei no relógio pregado na parede, o relógio marcava 22:29hs. Pra mim eles já estavam atrasados. Mas como a pontualidade inglesa não decepciona assim que o relógio badalou 30 minutos pras onze da noite, ouvi os passos na escada amadeirada, e os vi caminhando com sorrisos largos em nossa direção.
- Oi mocinhas. - Dougie disse se sentando em frente a Anne.
- Oi Dougie, oi Danny. - Anne abriu o melhor dos seus sorrisos. Ainda não tinha me acostumado com as pessoas chamando o Daniel de Danny, só uma pessoa era Danny e eu não tinha certeza se era ele.
- Oi Thay. - Daniel disse perto do meu ouvido me arrepiando sem perceber, pelo menos assim eu acho.
- Oi Daniel. - sorri pra ele me sentando um pouco mais pro lado pra que ele se sentasse ao meu lado. Anne e Dougie pareciam um casal de namorados e assim estavam, sorria cada vez que Dougie fazia as bochechas dela corarem pegando em suas mãos e todas as vezes que ela bagunçava o cabelo dele de um jeito fofinho, eles faziam um casal bonito, pena que daqui a alguns dias isso iria acabar, e não querendo fazer pouco caso dos meninos, eu voltaria a ficar sozinha.
- Você está bem anjinho? - Daniel ainda me chamava assim, e a cada dia eu tinha mais certeza de que ele era meu Danny, só não sabia como chegar a esse assunto.
- Estou ótima, só um poco cansada das compras de hoje. - disse mostrando meu vestido novo. Ele sorriu me dizendo que eu estava linda, acho que fiquei parecendo um pimentão e tive quase certeza que ele notou já que deu mais risada. A noite estava chegando em seu fim, faltavam 10 minutos pra meia-noite, Daniel se ofereceu pra me levar em casa e eu aceitei. Dougie e Anne esticaram pra mais algum lugar que só eles conheciam que pra mim era a cama do Dougie.
- Você não está bem. Ta escrito na sua testa. - É pelo visto eu era uma péssima mentirosa, ou então estava preocupada demais.
- Eu vou fazer uma coisa e por favor não fala nada, enquanto eu não terminar ok? - Ele parecia preocupado e um tanto curioso. Tirei o celular do bolso e digitei algumas palavras antes de mandar a mensagem, torcendo pro celular dele dar algum sinal de vida, só pra eu ter certeza que eu estava apaixonada pela pessoa certa. Nada aconteceu e eu com certeza aparentei um semblante decepcionado e meio choroso, eu jurava amor a um, mas estava me apaixonando perdidamente por outro e pior tendo a certeza que era o mesmo cara. Afinal quais são as possibilidades de conhecer em Londres um garoto chamado Daniel cujo apelido é Danny e que se mudou à poucos meses de Bolton. Naquele momento elas tinham crescido mais do que eu imaginava.
- O que você fez? - Daniel perguntou olhando em meus olhos.
- Nada... - Tentei disfarçar a voz tremula, mas não deu certo. Senti os braços dele me envolverem em um abraço aconchegante o que eu estava mesmo precisando naquele momento...- Queria tanto que fosse você. - Estava com vergonha por soluçar tando agarrada nele por um outro cara, só não queria solta-lo, queria ficar ali, pra sempre. Senti uma vibração passar por nossos corpos e notei-o tentando tirar o celular do bolso, me afastei pra que ele fizesse enquanto enxugava minhas lágrimas.
Olhei confusa pra ele, enquanto ele lia atentamente algo que estava escrito no visor. Seu sorriso não poderia ser mais lindo, poderia ser coisa da minha cabeça, juro que os dentes dele brilhavam mais que qualquer dia e que a felicidade de qualquer coisa que fosse estava explodindo seu peito de alegria. Me virei enquanto ele lia, com o maior prazer do mundo o que quer que fosse aquilo, se quer me viu partindo.
Não sei como cheguei a meu quarto só sei que, arranquei minha roupa do corpo a jogando em qualquer lugar, me deitando na cama no segundo seguinte, coloquei Snuff pra tocar, uma música que com certeza se você estiver triste só te fará ter vontade de amarrar um cinto no pescoço e se enforcar, ou no meu caso de melodramática cortas os pulsos. E por que o ser humano gosta tanto da dor, toda vez que estamos tristes colocamos uma música mais triste ainda, só pra acabar de foder com os sentimentos. Estava me sentindo um lixo, não pelo que eu estava sentindo pelo Daniel e sim pelo que eu estava fazendo com o Danny. Ele me mandou a mensagem, ele disse que me ama, e eu sei que também o amo. Tinha tanta certeza que era ele, tinha a convicção de que Daniel Jones e Danny eram a mesma pessoa e quando a mensagem não chegou, senti meu mundo cair sobre minha cabeça. Minha certeza escorrendo pelo ralo, meu coração se dividindo entre o amor de carne e osso e o amor virtual. Eles eram tão iguais. Dormi.

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